This paper presents partial results of an ongoing research on the creation of a new urban perception in the 1950s illustrated magazines in Brazil. It aims to cast doubt on the way these means of communication managed and worked in the... more
This paper presents partial results of an ongoing research on the creation of a new urban perception in the 1950s illustrated magazines in Brazil. It aims to cast doubt on the way these means of communication managed and worked in the image of a country at a fast pace of change and urban development process through photographs. Firstly, a wide range of matters concerning the way these magazines were edited alongside the layout of the photos in the articles are discussed. After that, a case study about the Revista do Globo in the 50s is presented.
El campo de la fotografía en Brasil en los años 1970 se caracterizó por un proceso de expansión, profesionalización, al mismo tiempo que se hizo más complejo, tanto en el campo periodístico como en el campo artístico. La investigación... more
El campo de la fotografía en Brasil en los años 1970 se caracterizó por un proceso de expansión, profesionalización, al mismo tiempo que se hizo más complejo, tanto en el campo periodístico como en el campo artístico. La investigación busca problematizar la reorganización del campo fotográfico en Brasil, en los años 1970, en especial, la producción de imágenes situadas entre los campos del fotoperiodismo y de la fotografía documental, en el contexto sociopolítico de un país en transformación, debido a la lucha por la abertura política y los movimientos sociales. Los fotógrafos se comprometieron en la construcción de una nueva visión para la nación. En este proceso, la prensa, y en especial, el fotoperiodismo tuvo un papel fundamental en la denuncia de la represión, de la censura y de las desigualdades sociales. El artículo está dividido en cinco partes. Primero tratar de trazar un panorama del campo profesional de la fotografía en los años 1970 y 80. Luego, se aborda el cambio en la formación de fotógrafos cuando la fotografía se enseña en cursos universitarios y se crean las primeras escuelas de fotografía. Más tarde, se analizan los conceptos y prácticas de fotoperiodismo y fotografía documentalista. Finalmente, presentase dos estudios de caso sobre la obra fotográfica de Luiz Carlos Felizardo y de Marcos Santilli.
Resumo: Este artigo reflete sobre três dimensões da fotografia de imprensa na revista Veja, no ano de 1977: o trabalho do fotógrafo Ricardo Chaves ao cobrir as manifestações estudantis em Porto Alegre; o filtro editorial realizado pelo... more
Resumo: Este artigo reflete sobre três dimensões da fotografia de imprensa na revista Veja, no ano de 1977: o trabalho do fotógrafo Ricardo Chaves ao cobrir as manifestações estudantis em Porto Alegre; o filtro editorial realizado pelo editor de fotografia Sergio Sade; a narratividade, a diagramação e a apresentação das fotografias nas páginas de Veja. A partir de entrevistas com fotógrafos, com o editor da revista e a interpretação das imagens busca-se compreender o fotojornalismo como o produto de uma cadeia de ações e de escolhas que se materializa nas páginas da publicação. Para tanto, é necessário refletir sobre o conceito de fotojornalismo em sua historicidade, em relação ao contexto de mudanças no fotojornalismo brasileiro na década de 1970, como produto do trabalho não apenas do fotógrafo mas de uma equipe de jornalistas em um veículo de imprensa, configurando um lugar social de produção de sentidos acerca da sociedade brasileira com seus conflitos e suas contradições.
Abstract: This paper considers three dimensions of press photography on Veja magazine in 1977: the work of photographer Ricardo Chaves covering student demonstrations in Porto Alegre; the editorial filter performed by the photo editor Sergio Sade; the narrative, the layout and presentation of photographs in the magazine. From interviews with photographers and editor, combined with the interpretation of the images, we describe photojournalism as a result of a sequence of actions and choices taking shape in the pages of the magazine. Accordingly, we consider photojournalism in its historicity, and in particular analyze the changing context during the 1970s and 1980s, in which photojournalistic work becomes a creation not only of a photographer but of a team, a social context providing interpretations about the Brazilian society, its conflicts and contradictions.
Abstract: This paper considers three dimensions of press photography on Veja magazine in 1977: the work of photographer Ricardo Chaves covering student demonstrations in Porto Alegre; the editorial filter performed by the photo editor Sergio Sade; the narrative, the layout and presentation of photographs in the magazine. From interviews with photographers and editor, combined with the interpretation of the images, we describe photojournalism as a result of a sequence of actions and choices taking shape in the pages of the magazine. Accordingly, we consider photojournalism in its historicity, and in particular analyze the changing context during the 1970s and 1980s, in which photojournalistic work becomes a creation not only of a photographer but of a team, a social context providing interpretations about the Brazilian society, its conflicts and contradictions.
ESTE LIVRO NÃO PODE SER DISTRIBUÍDO EM PDF DEVIDO AOS DIREITOS DE IMAGENS. POR ISSO NÃO HÁ UPLOAD AQUI. O presente livro nasceu da vontade de homenagear uma grande historiadora brasileira, que foi responsável por organizar e dinamizar ao... more
ESTE LIVRO NÃO PODE SER DISTRIBUÍDO EM PDF DEVIDO AOS DIREITOS DE IMAGENS. POR ISSO NÃO HÁ UPLOAD AQUI.
O presente livro nasceu da vontade de homenagear uma grande historiadora brasileira, que foi responsável por organizar e dinamizar ao longo de anos a produção historiográfica sobre História Cultural no país: Sandra Jatahy Pesavento.
Em janeiro de 2014, os organizadores se reuniram em Paris na EHESS para discutir a realização de um colóquio internacional e uma publicação que debatesse as temáticas centrais de pesquisa a que ela se dedicou com a colaboração de seus principais interlocutores: colegas do Grupo Clíope, do GT Nacional de História Cultural da ANPUH, do PROPUR, de organização dos Simpósios Nacionais de História Cultural, de publicações e alguns dos seus ex-orientandos (atualmente professores e pesquisadores em várias IES brasileiras).
O Grupo Clíope é um grupo internacional interdisciplinar constituído por pesquisadores das áreas de História e de Literatura, fundado por Sandra J. Pesavento em 1998. Sandra também criou, em 2001, o GT Nacional de História Cultural da ANPUH. Ela encerrou sua carreira exitosa de docente e pesquisadora na UFRGS no Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional (PROPUR).
O Colóquio Internacional sobre História Cultural da Cidade – Sandra Jatahy Pesavento foi realizado em março de 2015 e promovido por três Instituições de Ensino Superior - Programa de Pós Graduação em Planejamento Urbano e Regional (PROPUR) da Faculdade de Arquitetura da UFRGS, Programa de Pós Graduação em História da PUCRS, Programa de Pós Graduação em Memória Social e Bens Culturais do Centro Universitário Unilasalle - pelo Grupo de Trabalho em História Cultural da ANPUH-RS e pela Equipe Fonctions Imaginaires et Sociales des Arts et des Littératures/ (EFISAL) da École des Hautes Études de Sciences Sociales (EHESS) de Paris.
Como bem coloca Pesavento, em seu livro intitulado Imaginário da cidade: representações do urbano - Paris, Rio de Janeiro e Porto Alegre (Porto Alegre: Ed. da Universidade, 1999, p.8), a História Cultural do Urbano “se propõe a estudar a cidade através de suas representações. Entendemos ser esta uma fascinante proposta para o nosso final de século, quando a cidade se coloca, mais do que nunca como desafio, sendo o lugar – por excelência – onde as coisas acontecem ”.
Logo, este livro é a segunda parte do projeto que homenageia Sandra Pesavento, sendo uma forma de dar continuidade aos debates historiográficos e aos grupos de pesquisa que ela criou e dinamizou. Ele é fruto de reflexões de pesquisadores brasileiros e estrangeiros ao redor de quatro grandes eixos temáticos, em torno dos quais a obra está organizada: cidade, literatura, imagem e sensibilidades.
Urbano, urbanista, urbanismo, essas palavras apenas tem um século de existência mesmo se os problemas aos quais elas remetem dependem das transformações que sofreram as cidades a partir da era industrial moderna. A construção de um saber sobre o significado histórico e social das formas urbanas implica pesquisas sobre os usos sociais, a dramaturgia espacial como também sobre as palavras e as imagens através das quais os objetos urbanos ganham um significado imaginário para os atores da vida citadina.
A cidade continua se colocando hoje como um desafio, ela se apresenta como um importante objeto de reflexão que implica vários saberes e temas que podem se expressar e ser lidos de forma transdisciplinar nos discursos sobre ela apreendidos nas imagens, no texto literário, nas diferentes sensibilidades. Seguindo nossa autora homenageada, “Cidade-problema, cidade-representação, cidade-plural, cidade-metáfora – o urbano se impõe para o historiador da cultura nos dias de hoje como um domínio estimulante. A cidade não é simplesmente um fato, um dado colocado pela concretude da vida, mas como objeto de análise e tema de reflexão, ela é construída como desafio e, como tal, objeto de questionamento”. (Idem, p.10)
No entrecruzamento da História com a Literatura, há sempre os que exigem mais representação e aqueles que com ela se aborrecem, reivindicando maior grau de factualidade. Esquecem-se os dois lados de que a virtude do entrecruzamento reside, exatamente, na liberdade da construção, uma espécie de 3ª via que não pode se prender de maneira ortodoxa à matriz original, sob pena de esvaziar a criatividade e de afrouxar o conhecimento. A quem se confronta com a História e com a Literatura, no âmbito de pensar o urbano, cabe avaliar, de modo cauteloso e delicado, o grau de equilíbrio entre representação e factualidade, porque, a sabedoria sertaneja de Riobaldo já nos alertou: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.
As temáticas relativas aos estudos da imagem, da cultura visual e do imaginário urbano constituem uma área muito dinâmica das Ciências Humanas atualmente, muitos simpósios e publicações tem abordado essas questões. Através da pintura, da litografia, da fotografia e do cinema tem-se pensado a visualidade das cidades brasileiras. Os embates sociais, identitários e de gênero na cidade nos séculos XIX, XX e XXI tem constituído um novo imaginário republicano. A cidade entre a ordem e o caos é o locus de uma série de lutas, de disputas e de contradições no processo de modernização da sociedade brasileira. A produção imagética sobre as principais capitais brasileiras, entre elas o Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, em cartões postais, em álbuns de vistas, bem como em revistas e jornais, tem participado de forma ativa na construção de significados sociais e simbólicos sobre os processos de modernização e os embates políticos e culturais da sociedade brasileira. Por vezes, há uma tentativa de apresentar as cidades brasileiras com feições europeias, como na segunda metade do século XIX e início do XX, em outras, valorizar a modernidade através da produção econômica, da realização de grandes obras de engenharia e da verticalização (prédio de apartamentos e escritórios) como ícones da modernidade, finalmente como o local do combate a desordem, ao crime, ao tráfico, a pobreza e aos desviantes. O Brasil é um país com uma população de mais de 85 %, nas grandes cidades se concentram as principais instituições culturais (universidades, museus, centro culturais, esportivos, a pesquisa de ponta), políticas e econômicas, bem como as grandes manifestações sociais com as dos anos 1963-68, 1978-84 e 2013.
Sensibilidades são entendidas como tradução do sensível na cidade, como uma forma de conhecimento do mundo - imaginário social, subjetividade, emoções, sentimentos. Sensibilidades são deixadas em marcas objetivas do mundo sensível, "objetos do sensível", que podem ser materializados em textos e imagens literários, tais como cartas, diários e memórias e em objetos concretos (patrimoniais) e artísticos (todas as expressões artísticas), relacionados ao urbano. Com elas, também são trazidos à tona o estudo dos indivíduos, das subjetividades e das trajetórias de vida.
Na primeira parte do livro, Diálogos entre História Cultural e a Cidade, Jacques Leenhardt aborda em A teoria do «beco»: história geral e história cultural da cidade na obra de Sandra Jatahy Pesavento uma questão de fundo no conjunto da obra de Sandra Pesavento: a cidade como metonímia da organização social. É preciso pensar a cidade a partir de um deslocamento do olhar, desde a margem, do micro, dos debaixo, dos excluídos que através de variadas táticas e práticas subvertem e reinventam a dinâmica social no cotidiano.
Na segunda parte, três estudos sobre as relações dinâmicas entre o urbano e o urbanismo para pensar a cidade Entre Avenidas e Malocas: São Paulo de Prestes Maia e Adoniran Barbosa com Maria Izilda Santos Matos (PUC-SP); Uma autora em busca das imagens da cidade com Célia Ferraz de Souza (PROPUR/UFRGS); e Cartografia e História Cultural da cidade no limiar do século XXI com Daniela Marzola Fialho (PROPUR/UFRGS)
Na terceira parte, A História Cultural da Cidade e os Usos das Imagens, três estudos debatem as representações, expressões e recriações do urbano através da cultura visual em Imagens da cidade: Porto Alegre na fotografia Luiz Carlos Felizardo de Charles Monteiro (PUC-RS); Imagens do campo e da cidade - cinema brasileiro (1950-1968) de Alcides Freire Ramos (UFU); e Pelas ruas do Rio de Janeiro. Dois (ou três?) olhares estrangeiros: Henry Chamberlain e Jean-Baptiste Debret de Chiara Vangelista (Università degli Studi di Genova)
Na quarta parte, A História Cultural da Cidade e os Usos do Texto Literário, dois estudos problematizam as escritas e narrativas das cidades com Circuito nada redondo de Antonio Dimas (USP) e Por abajo del mundo. Espacios, hombres y mujeres peligrosos en la ciudad de Puebla, siglos XIX-XX de Rosalina Estrada Urroz (Universidade Autônoma de Puebla/México).
Na quinta parte, História Cultural e a Sensibilidade como Marcador Cultural, três estudos problematizam as formas de reinvenção do urbano pelo teatro e as memórias afetivas sobre o as experiências urbanas em Imagens e palavras do Grupo Tapa (SP) como fragmentos sensíveis da história cultural das cidades de Rosangela Patriota Ramos (UFU); A respiração das cidades: diário lírico urbano de Sérgio Milliet de Mônica Pimenta Velloso (FCRB); e Uma cantiga de amigo para Sandra Pesavento de Antônio Herculano Lopes (FCRB).
Na sexta e última parte, A Contribuição e o Legado Historiográfico de Sandra Jatahy Pesavento e sua Importância para a Historiografia Brasileira, Nádia Maria Weber Santos (IHGRGS) em Quando as sensibilidades tomam posição... realiza um balanço da produção, dos grandes temas e das principais questões de pesquisa legados por Sandra Pesavento para a História Cultura e as Ciências Humanas brasileiras.
Assim, o presente livro pretende, através da diversidade das contribuições nele reunidas, dar continuidade ao esforço intelectual que caracterizou a trajetória da Sandra Jatahy Pesavento no pensamento histórico brasileiro.
O presente livro nasceu da vontade de homenagear uma grande historiadora brasileira, que foi responsável por organizar e dinamizar ao longo de anos a produção historiográfica sobre História Cultural no país: Sandra Jatahy Pesavento.
Em janeiro de 2014, os organizadores se reuniram em Paris na EHESS para discutir a realização de um colóquio internacional e uma publicação que debatesse as temáticas centrais de pesquisa a que ela se dedicou com a colaboração de seus principais interlocutores: colegas do Grupo Clíope, do GT Nacional de História Cultural da ANPUH, do PROPUR, de organização dos Simpósios Nacionais de História Cultural, de publicações e alguns dos seus ex-orientandos (atualmente professores e pesquisadores em várias IES brasileiras).
O Grupo Clíope é um grupo internacional interdisciplinar constituído por pesquisadores das áreas de História e de Literatura, fundado por Sandra J. Pesavento em 1998. Sandra também criou, em 2001, o GT Nacional de História Cultural da ANPUH. Ela encerrou sua carreira exitosa de docente e pesquisadora na UFRGS no Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional (PROPUR).
O Colóquio Internacional sobre História Cultural da Cidade – Sandra Jatahy Pesavento foi realizado em março de 2015 e promovido por três Instituições de Ensino Superior - Programa de Pós Graduação em Planejamento Urbano e Regional (PROPUR) da Faculdade de Arquitetura da UFRGS, Programa de Pós Graduação em História da PUCRS, Programa de Pós Graduação em Memória Social e Bens Culturais do Centro Universitário Unilasalle - pelo Grupo de Trabalho em História Cultural da ANPUH-RS e pela Equipe Fonctions Imaginaires et Sociales des Arts et des Littératures/ (EFISAL) da École des Hautes Études de Sciences Sociales (EHESS) de Paris.
Como bem coloca Pesavento, em seu livro intitulado Imaginário da cidade: representações do urbano - Paris, Rio de Janeiro e Porto Alegre (Porto Alegre: Ed. da Universidade, 1999, p.8), a História Cultural do Urbano “se propõe a estudar a cidade através de suas representações. Entendemos ser esta uma fascinante proposta para o nosso final de século, quando a cidade se coloca, mais do que nunca como desafio, sendo o lugar – por excelência – onde as coisas acontecem ”.
Logo, este livro é a segunda parte do projeto que homenageia Sandra Pesavento, sendo uma forma de dar continuidade aos debates historiográficos e aos grupos de pesquisa que ela criou e dinamizou. Ele é fruto de reflexões de pesquisadores brasileiros e estrangeiros ao redor de quatro grandes eixos temáticos, em torno dos quais a obra está organizada: cidade, literatura, imagem e sensibilidades.
Urbano, urbanista, urbanismo, essas palavras apenas tem um século de existência mesmo se os problemas aos quais elas remetem dependem das transformações que sofreram as cidades a partir da era industrial moderna. A construção de um saber sobre o significado histórico e social das formas urbanas implica pesquisas sobre os usos sociais, a dramaturgia espacial como também sobre as palavras e as imagens através das quais os objetos urbanos ganham um significado imaginário para os atores da vida citadina.
A cidade continua se colocando hoje como um desafio, ela se apresenta como um importante objeto de reflexão que implica vários saberes e temas que podem se expressar e ser lidos de forma transdisciplinar nos discursos sobre ela apreendidos nas imagens, no texto literário, nas diferentes sensibilidades. Seguindo nossa autora homenageada, “Cidade-problema, cidade-representação, cidade-plural, cidade-metáfora – o urbano se impõe para o historiador da cultura nos dias de hoje como um domínio estimulante. A cidade não é simplesmente um fato, um dado colocado pela concretude da vida, mas como objeto de análise e tema de reflexão, ela é construída como desafio e, como tal, objeto de questionamento”. (Idem, p.10)
No entrecruzamento da História com a Literatura, há sempre os que exigem mais representação e aqueles que com ela se aborrecem, reivindicando maior grau de factualidade. Esquecem-se os dois lados de que a virtude do entrecruzamento reside, exatamente, na liberdade da construção, uma espécie de 3ª via que não pode se prender de maneira ortodoxa à matriz original, sob pena de esvaziar a criatividade e de afrouxar o conhecimento. A quem se confronta com a História e com a Literatura, no âmbito de pensar o urbano, cabe avaliar, de modo cauteloso e delicado, o grau de equilíbrio entre representação e factualidade, porque, a sabedoria sertaneja de Riobaldo já nos alertou: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.
As temáticas relativas aos estudos da imagem, da cultura visual e do imaginário urbano constituem uma área muito dinâmica das Ciências Humanas atualmente, muitos simpósios e publicações tem abordado essas questões. Através da pintura, da litografia, da fotografia e do cinema tem-se pensado a visualidade das cidades brasileiras. Os embates sociais, identitários e de gênero na cidade nos séculos XIX, XX e XXI tem constituído um novo imaginário republicano. A cidade entre a ordem e o caos é o locus de uma série de lutas, de disputas e de contradições no processo de modernização da sociedade brasileira. A produção imagética sobre as principais capitais brasileiras, entre elas o Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, em cartões postais, em álbuns de vistas, bem como em revistas e jornais, tem participado de forma ativa na construção de significados sociais e simbólicos sobre os processos de modernização e os embates políticos e culturais da sociedade brasileira. Por vezes, há uma tentativa de apresentar as cidades brasileiras com feições europeias, como na segunda metade do século XIX e início do XX, em outras, valorizar a modernidade através da produção econômica, da realização de grandes obras de engenharia e da verticalização (prédio de apartamentos e escritórios) como ícones da modernidade, finalmente como o local do combate a desordem, ao crime, ao tráfico, a pobreza e aos desviantes. O Brasil é um país com uma população de mais de 85 %, nas grandes cidades se concentram as principais instituições culturais (universidades, museus, centro culturais, esportivos, a pesquisa de ponta), políticas e econômicas, bem como as grandes manifestações sociais com as dos anos 1963-68, 1978-84 e 2013.
Sensibilidades são entendidas como tradução do sensível na cidade, como uma forma de conhecimento do mundo - imaginário social, subjetividade, emoções, sentimentos. Sensibilidades são deixadas em marcas objetivas do mundo sensível, "objetos do sensível", que podem ser materializados em textos e imagens literários, tais como cartas, diários e memórias e em objetos concretos (patrimoniais) e artísticos (todas as expressões artísticas), relacionados ao urbano. Com elas, também são trazidos à tona o estudo dos indivíduos, das subjetividades e das trajetórias de vida.
Na primeira parte do livro, Diálogos entre História Cultural e a Cidade, Jacques Leenhardt aborda em A teoria do «beco»: história geral e história cultural da cidade na obra de Sandra Jatahy Pesavento uma questão de fundo no conjunto da obra de Sandra Pesavento: a cidade como metonímia da organização social. É preciso pensar a cidade a partir de um deslocamento do olhar, desde a margem, do micro, dos debaixo, dos excluídos que através de variadas táticas e práticas subvertem e reinventam a dinâmica social no cotidiano.
Na segunda parte, três estudos sobre as relações dinâmicas entre o urbano e o urbanismo para pensar a cidade Entre Avenidas e Malocas: São Paulo de Prestes Maia e Adoniran Barbosa com Maria Izilda Santos Matos (PUC-SP); Uma autora em busca das imagens da cidade com Célia Ferraz de Souza (PROPUR/UFRGS); e Cartografia e História Cultural da cidade no limiar do século XXI com Daniela Marzola Fialho (PROPUR/UFRGS)
Na terceira parte, A História Cultural da Cidade e os Usos das Imagens, três estudos debatem as representações, expressões e recriações do urbano através da cultura visual em Imagens da cidade: Porto Alegre na fotografia Luiz Carlos Felizardo de Charles Monteiro (PUC-RS); Imagens do campo e da cidade - cinema brasileiro (1950-1968) de Alcides Freire Ramos (UFU); e Pelas ruas do Rio de Janeiro. Dois (ou três?) olhares estrangeiros: Henry Chamberlain e Jean-Baptiste Debret de Chiara Vangelista (Università degli Studi di Genova)
Na quarta parte, A História Cultural da Cidade e os Usos do Texto Literário, dois estudos problematizam as escritas e narrativas das cidades com Circuito nada redondo de Antonio Dimas (USP) e Por abajo del mundo. Espacios, hombres y mujeres peligrosos en la ciudad de Puebla, siglos XIX-XX de Rosalina Estrada Urroz (Universidade Autônoma de Puebla/México).
Na quinta parte, História Cultural e a Sensibilidade como Marcador Cultural, três estudos problematizam as formas de reinvenção do urbano pelo teatro e as memórias afetivas sobre o as experiências urbanas em Imagens e palavras do Grupo Tapa (SP) como fragmentos sensíveis da história cultural das cidades de Rosangela Patriota Ramos (UFU); A respiração das cidades: diário lírico urbano de Sérgio Milliet de Mônica Pimenta Velloso (FCRB); e Uma cantiga de amigo para Sandra Pesavento de Antônio Herculano Lopes (FCRB).
Na sexta e última parte, A Contribuição e o Legado Historiográfico de Sandra Jatahy Pesavento e sua Importância para a Historiografia Brasileira, Nádia Maria Weber Santos (IHGRGS) em Quando as sensibilidades tomam posição... realiza um balanço da produção, dos grandes temas e das principais questões de pesquisa legados por Sandra Pesavento para a História Cultura e as Ciências Humanas brasileiras.
Assim, o presente livro pretende, através da diversidade das contribuições nele reunidas, dar continuidade ao esforço intelectual que caracterizou a trajetória da Sandra Jatahy Pesavento no pensamento histórico brasileiro.
v. 41, n. 1 (2015) - Estudos Ibero-Americanos
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- •
- Laços sociais
v. 42, n. 1 (2016) - Estudos Ibero-Americano
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